O projeto Rosie, de Graeme Simsion
- Fernanda Palhari

- 6 de jun. de 2018
- 2 min de leitura
Atualizado: 30 de abr. de 2020

O projeto Rosie é daqueles livros amorzinhos que você lê a qualquer momento do dia e da vida. Ele é ao mesmo tempo engraçado e forte, com um humor maravilhoso mesclado com questões importantíssimas. A obra aborda de tudo um pouco: aceitação de si e do outro, traumas do passado, a importância do diálogo e da compreensão.
Don, o protagonista, é um geneticista incrível com um pequeno rol de amigos e alguns ocasionais problemas de convivência. Ele carrega um dos espectros do autismo, mas não sabe disso. Ele tem consciência de que é diferente da maioria das pessoas ao seu redor, muito mais organizado e sem muitas habilidades sociais mas, mesmo depois de passar por vários médicos ao longo da infância, não conseguiu descobrir o quê realmente existia de diferente dentro dele. Esse parece ser um cenário bastante comum entre os adultos portadores da síndrome hoje em dia, em cujo período de infância ainda era mais complicado identificar os traços do transtorno. Aliás, o próprio Don nos narra essa realidade graças a uma pesquisa que ele faz para uma palestra sobre o assunto.

Um certo dia, Don decide criar o Projeto Esposa para encontrar a mulher perfeita. Isso tudo pode soar meio estranho, já que ele inventa até mesmo um questionário bem extenso que deve ser respondido pelas candidatas, mas no fundo ele está preocupado em encontrar alguém que seja capaz de conviver com ele, o que inclui aceitar seus hábitos e manias não muito convencionais e sua frequente falta de tato.
Por obra do destino (ou nem tanto), Rosie aparece na sua sala na faculdade e Don, pensando ser ela uma das candidatas, a convida para sair - uma parte do processo da qual ele não é muito fã, mas bastante necessária. A partir daí Don começa a fazer coisas que nunca teria feito antes. Suas ações em relação a Rosie não estão relacionadas a nenhum senso lógico, mas ele continua tentando encontrar motivos plausíveis para fazer o que ele tem vontade de fazer, e não o que seu cérebro aconselha.

Ao longo do livro Don enfrenta alguns problemas com alunos da faculdade, com a chefe do departamento (que ele evita sempre que pode) e, claro, com Rosie. Mas ele não é o único a passar por dificuldades. O casal de amigos de Don enfrenta algumas controvérsias e a própria Rosie precisa lidar com algumas sequelas do passado que ainda a afetam muito na vida adulta.
A obra como um todo é uma boa lição de vida. Apendemos bastante com a história de Don, de Rosie e do casal de amigos, mas não de uma forma pesada ou maçante. O texto está cheio várias passagens bem divertidas, entre elas algumas respostas diretas ou literais que Don diz que, por serem inesperadas, nos fazem rir. É claro que também há momentos tristes (durante os quais acabei chorando, admito), mas o tom geral do livro é bastante leve e divertido.
❤ Até o próximo post! ❤
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