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O oceano no fim do caminho, de Neil Gaiman

  • Foto do escritor: Fernanda Palhari
    Fernanda Palhari
  • 11 de nov. de 2018
  • 4 min de leitura

Atualizado: 6 de abr. de 2020


Título: O oceano no fim do caminho (The ocean at the end of the lane)

Autoria: Neiil Gaiman

Tradução: Renata Pettengill

Editora: Intrínseca

Esse livro já era especial para mim antes mesmo de eu dar início à leitura. Primeiro porque, depois de anos, eu finalmente leria algo de um autor sobre quem vivo lendo/escutando elogios e, ainda mais especificamente, é a obra que uma amiga me indicou no ensino médio e que acabei não lendo por puro receio, porque achava que a história seria sombria. E, em segundo lugar, porque ele marca meu retorno às leituras do Clube Infinistante, depois de meses ser ler um livro indicado pelo maravilhoso trio de amigas que organizam o projeto - vocês podem ver as resenhas que fiz dos livros do clube clicando aqui. Eu estava morrendo de saudades de participar do clube e, finalmente, voltei à ativa nele.

O oceano no fim do caminho é um livro lindo. Mas daqueles lindos mesmo, que te tocam profundamente, tão fundo que você sabe que em algum momento vai precisar reler a história para tentar absorver mais um pouco do que ela tem a oferecer. É um livro sobre a infância, mas também sobre a vida adulta. Sobre como nós somos muito mais abertos ao diferente e ao desconhecido quando ainda não chegamos nesse mundo de realidade fechada, em que tudo funciona como se já estivesse pré-determinado. E é sobre muito mais que isso também.

Algo que me encantou logo de início foi o fato de o livro ser narrado praticamente inteirinho sob a perspectiva de uma criança. O prólogo e o epílogo são sob a visão do protagonista já adulto, no tempo presente, enquanto os capítulos em si, apesar de serem narrados por esse personagem que se recorda aos poucos de quando era pequeno, nos são apresentados pelos olhos de um menino de sete anos de idade - um menino que eu gostaria de ter como amigo, diga-se de passagem.

A história conta algumas aventuras e perrengues porque o protagonista passou quando era criança, mas dos quais não se lembra mais. Ele começa a recordar esses situações apenas quando visita a casa de uma senhora e se senta para observar um lago que há nos fundos da propriedade. É à partir daí que tomamos conhecimento de alguns acontecimentos estranhos que o levaram a travar amizade com uma vizinha e sua família um tanto excêntricas, é quando o protagonista se recorda de situações vividas por ele durante a infância e que não podem ser explicadas pela lógica - e nas quais nenhum adulto acreditaria.

Aliás, outro ponto de que gostei bastante na obra foi o modo como Gaiman abordou a relação entre crianças e adultos. Há vários trechos em que os personagens adultos são vistos pelo protagonista (ainda criança) como aquele que sempre vence as discussões, a pessoa cuja opinião prevalece, a figura a quem muitas vezes se deve temer e que não pode ser derrotada . Algumas reflexões que tenho feito durante esse ano, principalmente durante meu estágio em uma escola de educação infantil, vieram bem a calhar nessas horas. Nós, adultos, precisamos lembrar que é importante dar espaço para que as crianças se manifestem. A opinião delas deve, sim, ser escutada. Mesmo quando estamos na posição de educadores é preciso levar em conta que aqueles pequenos seres humanos também têm algo a nos transmitir (se não um ensinamento, ao menos uma nova perspectiva). E posso dizer, por experiência própria, que observar como essas pequenas cabecinhas funcionam é fascinante.

As situações vividas pelo protagonista, que mencionei ali em cima (mas que não disse quais são, obviamente, pois não queremos spoilers) me foram encantadoras. Não tenho certeza se essa é a palavra certa, mas a sensação geral que esse livro me passou foi de um encanto muito grande com a obra como um todo. A narração me cativou, os acontecimentos são fantásticos (literalmente), as reflexões me deixaram pensando em mil desdobramentos, os personagens são apaixonantes. E o mundo construído por Gaiman é incrível, um universo gigantesco em que coisas nem ao menos sonhadas por nós são facilmente acessíveis - e o modo simples e cotidiano, mas respeitoso, com que esse mundo é tratado por algumas personagens o tornam ainda mais especial.

O oceano definitivamente entrou para minha lista de preferidos de 2018 (que, aliás, tem várias obras indicadas pelo Infinistante - recomendo muito o clube!). Se você ainda não leu, meu conselho é que corra para ler assim que possível, prometo que vale muito a pena. Vale comprar um exemplar, alugar na biblioteca ou emprestar de um amigo (meu caso), o importante é ler!

Depois dessa leitura maravilhosa fiquei com vontade de ler mais livros do autor, e o próximo da lista provavelmente será Mitologia Nórdica, que tenho aqui em casa e não consegui ler ainda, mas espero mudar isso durante as próximas férias - já o coloquei na tbr de verão!

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❤ Até o próximo post! ❤

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Fernanda Palhari ama ler e falar sobre livros, organização e desenvolvimento pessoal, gosta de visitar e indicar locais bacanas, é adepta da yoga e tenta manter um estilo de vida saudável para o corpo e para a mente.

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